Por que um veredicto de US$ 425 milhões prova que é hora de ir além do "incógnito

Em um duro golpe para as grandes empresas de tecnologia, um júri federal em São Francisco enviou uma mensagem clara sobre a privacidade dos usuários em 3 de setembro de 2025, condenando o Google a pagar cerca de US$ 425 milhões. O veredicto foi proferido em uma ação coletiva movida em julho de 2020 em nome de quase 100 milhões de pessoas que acreditavam ter desativado a coleta de dados pelo Google.

O caso girou em torno de uma configuração da conta do Google chamada “Atividade na Web e em aplicativos”. Os autores da ação alegaram que os usuários foram levados a acreditar que, ao desativá-la, impediriam o Google de coletar seus dados. A ação alegou que, mesmo com a configuração desativada, a empresa continuou coletando, armazenando e utilizando dados de milhões de dispositivos móveis dos usuários por meio de aplicativos de outras empresas que utilizam as ferramentas de análise e publicidade do Google.

O júri considerou o Google responsável por duas das três alegações relacionadas à privacidade, mas não concedeu indenização punitiva, e o valor total ficou muito abaixo dos mais de US$ 31 bilhões que os autores da ação haviam inicialmente solicitado. O Google afirmou que o veredicto “interpreta erroneamente como nossos produtos funcionam” e entrou com recurso.

Este não é um caso isolado para o gigante das buscas. O veredicto é o mais recente de uma série de disputas relacionadas à privacidade envolvendo o Google, incluindo um acordo de 2024 no qual a empresa concordou em destruir bilhões de registros que, segundo uma ação judicial separada, haviam sido coletados de usuários que utilizavam o próprio modo “Incógnito” do Chrome. Esse padrão destaca um problema persistente: a discrepância entre o que os usuários esperam e a forma como seus dados são, de fato, tratados.

A própria palavra “Incógnito” passou a representar um equívoco comum sobre a privacidade online. Muitas pessoas acreditam que ativar o modo incógnito de um navegador as torna completamente anônimas na internet. Na realidade, embora impeça que seu histórico de navegação, cookies e dados temporários dos sites sejam salvos no seu dispositivo, isso faz pouco para protegê-lo do mundo exterior. Seu provedor de serviços de internet (ISP) ainda pode ver quais sites você visita, os sites ainda podem ver seu endereço IP, e a rede da sua empresa ou da sua escola ainda pode monitorar seu tráfego.

É por isso que vale a pena saber exatamente o que cada ferramenta de privacidade faz e o que não faz. Para usuários do Android que querem um navegador que não armazene seu histórico, sem precisar se lembrar de abrir uma aba privada, existem opções: embora muitos navegadores ofereçam um modo privado, poucos funcionam nesse modo o tempo todo.

É aí que entra o aplicativoIncognito Browser. Trata-se de um navegador privado gratuito para Android, desenvolvido por nós, que funciona em modo privado o tempo todo. Ele apaga o histórico, os cookies e as sessões quando você sai do aplicativo e não mantém nenhum histórico de navegação nem cache no seu dispositivo. Os arquivos baixados são mantidos. Ele também possui um bloqueador de anúncios integrado e o recurso “Agent Cloaking”, que oculta o navegador e o dispositivo que os sites visualizam. Você também pode escolher seu mecanismo de busca. Tão importante quanto isso é o que ele não faz: não é uma VPN, portanto os sites ainda podem ver seu endereço IP e seu provedor de internet ainda pode ver quais sites você visita, e ele não torna você anônimo.

A sentença de US$ 425 milhões contra o Google é um forte lembrete de que confiar nas promessas de privacidade das grandes empresas de tecnologia pode ser uma aposta arriscada. Nenhum aplicativo, por si só, torna você invisível na internet. Mas, ao entender o que cada ferramenta protege — como um navegador privado para os dados que ficam no seu celular e uma VPN para o seu endereço IP —, você pode recuperar parte do controle sobre seus dados.

Veredicto de US$ 425 milhões